... Você pode me ver do jeito que quiser, eu não vou fazer esforço pra te contrariar, de tantas mil maneiras que eu posso ser, estou certa que uma delas vai te agradar...

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Como temperar o aço

Lynell Waternnan conta à história do ferreiro que, depois de uma juventude cheia de excessos, decidiu entregar sua alma a Deus. Casou-se, formou uma família, e durante muitos anos trabalhou com afinco. Entretanto, apesar de toda a sua dedicação, nada parecia dar certo em sua vida.

Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais. Uma bela tarde, sua mulher reclamou:

_ Você está dando um péssimo exemplo a nosso filho. Justamente depois que resolveu se tornar um homem temente a Deus, a sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas, apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem dado resultado.

O ferreiro não respondeu imediatamente: também ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia.

Entretanto, como não queria deixar a mulher sem resposta, naquela mesma noite _ durante o jantar com sua família _ o ferreiro explicou o que estaca sentindo:

_ Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado, e preciso transformá-lo em espadas. Vocês sabem como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que ela fique vermelha.



Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado, e aplico vários golpes, até que a peça adquira a forma desejada. Logo ela é mergulhada numa balde de água fria, e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir este processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é o suficiente.



O ferreiro deu uma longa pausa, acendeu um cigarro e continuou:

_ Às vezes, o aço que chega as minhas mãos não consegue agüentar este tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que existe na entrada da minha ferraria.

Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu:


_ Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas.

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