... Você pode me ver do jeito que quiser, eu não vou fazer esforço pra te contrariar, de tantas mil maneiras que eu posso ser, estou certa que uma delas vai te agradar...

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010


Surgiste-me inesperado num dia corriqueiro do calendário semanal. Eras-me uma vez um estranho e na vaga impossibilidade do mundo, recheado de encontrões desencontrados e linhas cruzadas que nunca se tocam transformas-te o teu rosto numa imagem familiar. Há coisas assim, que começam do nada, nos chegam sem aviso prévio e se arrumam na nossa vida num encaixe perfeito e natural como duas peças do mesmo puzzle. És a boa nova que me chegou, numa brisa suave que se instalou graciosamente no momento certo na hora exacta, nesse fenómeno estranho a que chamam ‘sintonia’. Um desejo de ano novo que não passa, um sorriso que não se desfaz, uma fotografia bonita que o tempo não faz desbotar a cor, és-me tanto, do tanto de bom que existe. Gosto-te assim, nesta mansidão, neste desejo, com esta clarividência, num prenúncio de guerra e paz que te precede e que faz o meu riso cair na onda da felicidade fazendo com que o meu coração vá navegando via barco á vela no sopro da tua voz. Eu sôfrega de ti em desassossego, quando ao longe te desvendo o gingado, as borboletas num alvoroço a bater as asas contra as paredes do estômago e o peito a saltar-me fazendo tabela entre as costelas. Preciso-te neste ar que só nós sabemos suspirar. ‘Dá-me-te’ com urgência que te preciso assim, a descobrir-me pé ante pé, a gozar-me, abusar-me, usar-me nestes minutos que inventamos para sair fora do tempo. Abraça-me, aperta-me e lambe-me as feridas enquanto os meus gritos morrem no fundo da garganta abafados pela tua pele. Há pessoas assim, que nos chegam para nos salvar de nós mesmos, não no primeiro olhar nem no primeiro toque mas no vagar dos dias. Basta deixar correr e num pôr-do-sol encenado feito pintura, dar de caras com o sentido da vida pespegado na ponta do nariz. E pensar que me eras uma vez um estranho, agora sei o espaço exacto que os teus dedos ocupam entre os meus.



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